quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

besteiras

Não há desgraça que possa ser comparada com a existência, afinal, é ela a origem de todas as moléstias que assolam os vivos, doença e morte, velhice e desejo, dentre tantas futilidades a maior é o prazer, afinal nossa noção é limitada e condicionada, o belo é belo e o feio é feio, isso é tudo o que aprendemos, mas o belo nunca foi belo nem o feito foi feio, eles são apenas o que são, nós os embelezamos com nossas mentes limitadas, pintando realidades irreais.
Viver é uma limitação, por não podermos ver o que é visto ou sentir o que é sentido, tudo nos é servido com a máscara da mentira. A morte por outro lado é o inverso, é o não ser, o não desejar, é a verdade por não ser nem desejar verdades , é a onisciência do silêncio.

Caminhamos para o fim do sofrimento mas, nossa ignorância não nos permite ver a liberdade do fim, o significado do final, a joia rara que se torna o ser que morre, pois sua história é completa e definível , sem bem nem mau, sem dor nem desejo.

where´s my mind

Aonde estas minha mente ?
Em quais devaneios te perdeste?
em que rios estas a fluir ?
em que precipícios estas a cair ?
nesses pensamentos que me ferem
nesses infernos que me cercam
aonde estas?
aonde flui meu pensamento?
eu me sinto a deriva no oceano da vida
e minha mente dissolvesse nas ondas do mundo

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

percepção

O individualismo do homem é uma forma equivocada e limitada de ver a vida, afinal o que está fora é o que está dentro e o que esta dentro é o que esta fora. Somos produto do meio e o meio é nosso produto. Nossos pensamentos , nossas línguas, todos são originados da nossa cooperação, o simples ato de pensar nos modifica e assim modificamos o meio e ele a nós. Nossa liberdade é criativa e pertence ao julgamento dos estímulos que vem de fora, com as idéias que nutrimos dentro. Por isso o homem deve observar a própria mente e o meio que o cerca para ser modificado e modificar de forma consciente.

sobre a tolerância

As crianças têm, por natureza, a tendência de serem egocêntricas, o que dificulta a elas perceber as reais consequências de suas ações, com o passar do tempo a mente amadurece e percebe que admitir a falibilidade de nossas opiniões é o caminho para uma vida mais feliz. Contudo, alguns homens podem resgatar esse egocentrismo , por um ideal radical, ou mante-lo durante suas vidas. Essas criaturas são totalmente contrárias ao diálogo argumentativo e quando são favoráveis objetivam impor suas perspectivas,. A esses homens, lhes resta a mais profunda pena daqueles que durante a vida apontam os holofotes da dúvida para sí mesmos, pois viver deve ser encarado como uma constante reavaliação no qual o sujeito deve estar sempre aberto a defender e ouvir as perspectivas dos outros e caso no processo de discussão suas ideias se mostrarem falhas, mudar o rumo de seus pensamentos feliz, sabendo que aceita uma ideia fundamentada pela argumentação. 

Nesse ponto onde se aceita a ideia melhor defendida, é necessário se ater para a possibilidade de uma argumentação falha ou tendenciosa, e nunca se prender a uma única ideia que não tenha sido debatida a exaustão, pois para aqueles que desistem de pensar a verdade sempre possui muitas faces.

sobre a posse

É tolo qualquer homem que pense possuir coisa alguma, nem a sí mesmo possui, basta um insignificante desconforto para perder a paz ou uma pequena crítica para abandonar a razão, mais iludido ainda é o homem orgulhoso de suas posses, pois não percebe ele que a morte subtrai todos os bens. Não estou a estimular o abandono, mas o exercício do abandono, no caso, admitir a rotatividade das coisas materiais e perceber que a posse não passa de um momento de ignorância. 

Talvez o único bem verdadeiro do homem seja o tempo, que como diz Sêneca, é trocado por bens de valor incomparavelmente inferior.